Afinal, quanto tempo dura a conjuntivite?
- Redator

- Feb 18
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A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, a membrana transparente que recobre a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras. É uma condição comum que pode afetar um ou ambos os olhos e ocorrer em qualquer faixa etária. Normalmente, começa em um olho e pode se espalhar para o outro em poucos dias.
A duração do quadro varia conforme sua origem, que pode ser infecciosa, causada por vírus ou bactérias, ou não infecciosa, relacionada a diversos fatores como contato com substâncias irritantes, uso inadequado de lentes de contato, traumas oculares e algumas doenças do corpo.
A forma viral costuma durar de sete a 14 dias, podendo se estender por até três semanas. A conjuntivite bacteriana, por sua vez, apresenta maior variabilidade na evolução clínica, tendendo a ser mais curta quando tratada adequadamente. Já a conjuntivite alérgica apresenta curso variável e recorrente, sem duração pré-determinada, pois depende da resposta individual e da exposição aos agentes desencadeantes, com intensificação dos sintomas durante o contato com esses fatores.
A seguir, saiba mais detalhes sobre esses quadros:
Conjuntivite viral
A conjuntivite viral é responsável pela maior parte dos casos, especialmente em períodos de maior circulação de vírus respiratórios, responsáveis também por gripes e resfriados. Costuma causar vermelhidão, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos e secreção mais aquosa. As pálpebras podem amanhecer grudadas, mas ao longo do dia a secreção tende a ser mais líquida.
Na maioria das pessoas, o quadro é leve e se resolve espontaneamente em uma ou duas semanas. Não há tratamento específico para eliminar o vírus, e o foco costuma ser o alívio dos sintomas, com compressas frias e lágrimas artificiais. Antibióticos não têm efeito nesse tipo de conjuntivite e não aceleram a cura.
Em situações mais raras, quando a infecção é causada por vírus específicos, como o herpes simples ou o vírus da varicela-zóster, existem tratamentos antivirais específicos e esses quadros estão associados a maior risco de complicações oculares.
Conjuntivite bacteriana
A conjuntivite bacteriana costuma provocar secreção mucopurulenta, espessa, de coloração amarelada e que se acumula ao longo do dia. Coceira, inchaço das pálpebras e sensação de desconforto são frequentes. Crianças, idosos, pessoas imunossuprimidas e usuários de lentes de contato estão entre os grupos mais suscetíveis.
Muitos casos leves melhoram sozinhos em poucos dias, mesmo sem uso de antibióticos. Ainda assim, o uso de colírios ou pomadas antibióticas pode ser indicado para reduzir a duração da infecção e diminuir o risco de complicações. Em geral, com tratamento adequado, os sintomas começam a regredir em 24 a 48 horas.
Em raros casos, quadros com início abrupto, sintomas intensos e rápida progressão ao longo de poucas horas podem caracterizar conjuntivite hiperaguda e devem ser avaliados o quanto antes por um médico oftalmologista.
Conjuntivite alérgica
Diferentemente das formas infecciosas, a conjuntivite alérgica não é contagiosa. Ela surge de uma hipersensibilidade ocular em contato com alérgenos ambientais, como pólen, ácaros, mofo ou pelo de animais. Coceira intensa, vermelhidão e lacrimejamento são os principais sinais.
Nesse caso, a duração do quadro está diretamente ligada tanto a fatores individuais
quanto à intensidade e persistência da exposição ao alérgeno. Os sintomas podem desaparecer rapidamente quando o contato pontual é interrompido ou manifestar-se de forma recorrente e crônica, exigindo acompanhamento oftalmológico especializado.
O manejo envolve lágrimas artificiais, colírios antialérgicos e, em casos selecionados, colírios anti-inflamatórios, com o objetivo de controlar os sintomas oculares.
Quando procurar um profissional de saúde?
Muitos casos de conjuntivite podem ser manejados em casa. Compressas frias ajudam a aliviar a inflamação, enquanto lágrimas artificiais reduzem o ressecamento e a sensação de irritação. A higiene é um ponto central, portanto, lavar as mãos com frequência e evitar tocar ou esfregar os olhos são práticas que reduzem o risco de piora e transmissão.
Embora a conjuntivite apresente, na maioria dos casos, evolução benigna, alguns sinais exigem avaliação médica imediata, como dor intensa, sensibilidade acentuada à luz, visão turva persistente, duração prolongada, vermelhidão marcada ou secreção abundante, que podem sugerir complicações ou diagnósticos alternativos.
Recém-nascidos com qualquer sinal de conjuntivite devem ser avaliados. Também é recomendável procurar um médico oftalmologista se os sintomas não melhorarem após alguns dias ou piorarem progressivamente.
Fonte: Einstein Hospital Israelita: Lucas Zago Ribeiro. Médico oftalmologista.




